De Tribo para Tribo
Postado por:
Veridiana M
01/09/2010 10:51
Alunos solidários, alunos felizes...

O Dia do Estudante no Colégio Sinodal Progresso (CSP) de Montenegro foi além das expectativas. Além do lanche oferecido, do recreio mais prolongado, da música trazida pelos próprios alunos da Escola, os estudantes vivenciaram momentos de solidariedade com a Tribo Alegrarte.
Neste dia de muita festa e comemoração, a solidariedade estava presente no coração feliz de nossos estudantes, quando foram arrecadados 30kg de alimentos não perecíveis e 20 unidades de produtos de higiene.
Após, realizaram uma visita a Casa de Repouso Monte Sinai, os parceiros voluntários do CSP entregaram os alimentos e produtos de higiene (arrecadados anteriormente), convivendo junto aos idosos, em uma tarde de muito carinho e aprendizagem. Neste dia, passearam com vovôs e vovós, ouviram histórias de vida, jogaram cartas, pintaram unhas e, o mais importante distribuíram e receberam: carinhos, abraços, beijos...
Esta tarde trouxe muita felicidade àqueles vovôs e vovós com tanto a ensinar e a contar; porém, felicidade maior estava estampada em nossos parceiros que, a cada dia, aprendem o quanto a solidariedade provoca equilíbrio e paz no coração.
Abraços a todos...
Tribo Alegrarte - Montenegro/RS

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22/06/2009
Formando Bulistas

O MEC publicou pesquisa a respeito da discriminação em escolas da rede pública. Pesquisa que reforça a tese de condutas recorrentes chamada bullying. Estamos todos acordando para esse câncer preconceituoso que invade a vida de todos nós. A chaga da crueldade ofende nossa dignidade.

Qual o rosto do bullying da pesquisa?  Os alvos são os homossexuais, moradores de rua, gente pobre.  Impressiona na pesquisa, o peso da religião nessa concepção de marginalizar todos os que não se enquadram na dita normalidade, muitas vezes, codificada por um processo educativo que ensina teorias de cidadania completamente desfocadas de uma prática, contradição que impede que a escola seja um espaço agregador de saúde emocional e de solidariedade. Católicos (65%) e evangélicos (31,29%) constituem o núcleo de uma comunidade   conivente com a prática do bullying. Indefesas, as vítimas do silêncio sofrem todo o processo de marginalização. A pesquisa confirma que o bullying não escolhe domicílio.

Acho que esses jovens nunca se depararam com uma reflexão séria sobre a Parábola do Bom Samaritano contada por Jesus de Nazaré.  Nela, questionado sobre o sentido do humano existente em cada um de nós, Jesus ensina que nosso próximo está aqui ao nosso lado.  A pergunta da Parábola segue incomodando. Quem é o meu, o teu, o nosso próximo?

Segue a pesquisa revelando os mais perseguidos por essa barbárie das relações humanas. Em relação a comunidade de alunos os mais marginalizados são os negros (19%), os pobres( 18,2%), os homossexuais (17,4%) e as mulheres com 10,9%. Podemos nos perguntar que juventude é essa que estamos ajudando a formar? 

Em relação ao quadro de professores chega a ser chocante o resultado. Professores idosos, homossexuais, mulheres e negros são os mais visados pelos bulistas que dominam as relações grupais em salas de aula e nos demais espaços escolares.

Se ampliássemos essa pesquisa para outros ambientes profissionais, qual seria seu resultado? Arrisco a afirmar que esse quadro doentio do preconceito seria igualmente desvelado.  Sim, praticamos bullying em todos os lugares.  Vivemos bombardeados por uma educação que define o que é padrão de beleza e aqueles que devem ser aceitos socialmente. Um belo exercício, nesse sentido, seria nos perguntarmos se, no dia de hoje, praticamos algum tipo de excludência ou contribuímos para minimizar a dor dos que passam por nossas vidas? Ao escutar aquela piadinha sobre um negro, gay, gago, gordo, feio, qual foi a reação de cada um de nós?  Silenciamos.  Achamos graça ou tomamos uma posição?  Afinal, qual o significado do riso sobre um defeito físico de alguém?  Isso, apenas legitima as formas veladas da prática do bullying.

Saramago disse uma vez “olha para o teu lado e dá a mão para o teu vizinho”. Essa corrente do bem tão simples de fazer exige de nós tão pouco. Um desafio grandioso para todos nós é como transformar um bulista num ser solidário.  Outro é mexer com a comunidade dos espectadores. Educar é uma riqueza que desacomoda todo o tempo.

Autor: Carlos Alberto Barcellos - Professor da Rede Franciscana Bernardina de Educação
Sugerido por: ONG Parceiros Voluntários


   
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