De Tribo para Tribo
Postado por:
Veridiana M
01/09/2010 10:51
Alunos solidários, alunos felizes...

O Dia do Estudante no Colégio Sinodal Progresso (CSP) de Montenegro foi além das expectativas. Além do lanche oferecido, do recreio mais prolongado, da música trazida pelos próprios alunos da Escola, os estudantes vivenciaram momentos de solidariedade com a Tribo Alegrarte.
Neste dia de muita festa e comemoração, a solidariedade estava presente no coração feliz de nossos estudantes, quando foram arrecadados 30kg de alimentos não perecíveis e 20 unidades de produtos de higiene.
Após, realizaram uma visita a Casa de Repouso Monte Sinai, os parceiros voluntários do CSP entregaram os alimentos e produtos de higiene (arrecadados anteriormente), convivendo junto aos idosos, em uma tarde de muito carinho e aprendizagem. Neste dia, passearam com vovôs e vovós, ouviram histórias de vida, jogaram cartas, pintaram unhas e, o mais importante distribuíram e receberam: carinhos, abraços, beijos...
Esta tarde trouxe muita felicidade àqueles vovôs e vovós com tanto a ensinar e a contar; porém, felicidade maior estava estampada em nossos parceiros que, a cada dia, aprendem o quanto a solidariedade provoca equilíbrio e paz no coração.
Abraços a todos...
Tribo Alegrarte - Montenegro/RS

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26/06/2009
Nenhum a menos

“Nenhum a menos” (Not one less) é um filme imenso. Aprendi com o Professor Maurício Gonçalves que o filme é, por muitas vezes, maior que o cinema. Explico: enquanto o cinema fica lá como uma estrutura técnica, paredes e pipocas, levamos o filme para casa. O cinema não cabe no nosso bolso, mas o filme cabe no bolso de nossa cabeça.

É um filme sobre uma garota de 13 anos que assume as aulas numa paupérrima aldeia da China. Ela vem a substituir um professor que precisa se ausentar e é a única disponível para o cargo na região. Não sabe dar aula, está lá pelo dinheiro. Sabe ler e escrever. E só. Mas a incumbência, que lhe valeria alguns trocados, poderia render um pouco mais se ela, como professora, não deixasse nenhum aluno desistir das aulas. Assim, na próxima vez que o antigo professor aparecesse por lá não deveria ter nenhum aluno a menos, nenhum a menos, o que justifica o título.

Um ato fílmico interessantemente guardado nos olhos e memória de quem vê este bendito filme é que a guria corre, mas corre, mas corre atrás do carro do prefeito, atrás do ônibus, corre atrás do aluno, corre até a cidade grande. Tradução minha: ela corre porque é a única maneira de se conseguir o que se quer. Corre e mira; mira e corre.

Meu olhar de economista e educador deu boas gargalhadas, com direito a rever algumas vezes a cena em que o professor que irá deixar o cargo orienta a nova “professora”. Diz ele para que a menina não escreva na lousa letras muito miúdas, pois irá prejudicar a visão dos alunos, nem muito grandes, que é para economizar o giz. Escrevo, lembro e rio. O cuidado do educador e o cuidado do economista batendo do lado direito e esquerdo da minha face, pelas mãos da grande professora pequena, que tem olhos tão fechados, que nos relevam tudo.

E a professora tem um aluno difícil, que a desafia, responde, contesta e que não quer estudar. Num dia do filme da vida da professora, um aluno não comparece para a aula. Justamente o aluno mais difícil da jovem professora (que é mais jovem do que professora). Alguém de nós será que já topou com o menino do filme por aí? Mas eis que a professora decide, primeiramente, entender porque o aluno não compareceu na escola naquele dia. Descobre que ele foi trabalhar na cidade grande, pois os pais assim precisavam. Ela decide, então, ir até a cidade grande, desconhecida por ela, para buscar seu pupilo, ou seu pimpolho. É triste. Especialmente triste porque a ‘cidade grande’ é um inferno. Gente, muita gente num trânsito desordenado, violência, pobreza, sujeira, escuridão, os ricos e os pobres, misturados como água e óleo, e muita incoerência. Em resumo, a visão urbana do inferno. E aí pergunto-me e pergunto: porque temos a sensação de que precisamos ir até o inferno para buscar nossos alunos? Ou ainda: será que estamos dispostos a ir até o inferno por nossos alunos? A guria foi.

O filme é de 1999, vencedor do Festival de Veneza daquele ano. Mas nada mais atual. A China é, ao mesmo tempo, país de Primeiro e de Terceiro mundo. Digo isso de todos os países que tem gente rica e gente pobre numa mesma fronteira.

Karla Donetti Antunes me indicou o filme, que indico a todos. Depois de assistir e de me lembrar que a senhora Antunes não é professora, lembrei-me que agora ela é mãe e tudo se explica e justifica a recomendação.

Penso ainda que “Nenhum a menos” é um filme que está estampado nos jornais sempre que leio assim: “Número de professores diminui”, “Vestibulandos optam cada vez menos por Pedagogia”, “Evasão no curso de letras vem se acentuando a cada ano”, “Magistério não é opção entre jovens”, “Salário de professores não é atrativo para adolescentes”. “Nenhum a menos” é um sensível tapa na cara da nossa sociedade que quer construir educação sem educadores. Não dá.

Não é um filme sobre assassinato. Se você quer ver sangue, esqueça. O filme nos faz lembrar que lágrimas e suor são expressão muito melhor do que é ser um sujeito humano. Se bem que podemos entender o “Nenhum a menos” como um relato das tentativas de se assassinar a educação. Não é comédia. A não ser nos momentos em que nos pegamos rindo de nós mesmos. China ou Brasil. Adultos ou crianças. Filme ou realidade. Realidade ou falsa realidade. Afinal, onde é que mora mesmo essa tal realidade? Num filme sobre uma guria que se torna professora e que mergulha no desconhecido inferno para buscar uma alma, umazinha só, que se perdeu? Ser professor pelo dinheiro, pelo amor? Não importa. Recomendo que assistam à realidade fílmica de “Nenhum a menos” para tentar compreender a nossa.

Este texto foi publicado na revista Gestão Educacional em junho/09.

Autor: César Augusto Dionísio - economista e professor
Sugerido por: ONG Parceiros Voluntários


   
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