Poderia ser apenas mais uma sexta-feira qualquer. O Primeiro Ano do Ensino Médio é a porta de entrada para um novo ciclo. Existe um encontro com hora e data marcada. Para aquela sala de aula, pela primeira vez, iria se deparar com uma palavra chamada Sociologia. Há um clima de expectativa no ar. Vamos juntos assumir a lente fotográfica para pensarmos o que chamei de “ Uma Sociologia para a juventude”. Começo estabelecendo as únicas regras que deverão reger todo o projeto de trabalho resumido em duas palavras chaves: respeito e confiança. Afinal, o que isso tem a ver com a disciplina que estava começando seu primeiro ensaio fotográfico. Fotográfico? Sim, é preciso crer que é possível ler o mundo sobre a lente de cada sociólogo em potencial, presente em cada jovem daquela sala de aula. Afinal,, antes de chegar em método científico sociológico, autores da história da Sociologia, diferenças entre eles, é preciso passar para o grande acontecimento sociológico chamado sala de aula. Uma mínima sociedade reunida a disputar poder, a brigar por status, a se diferenciar nas roupas vestidas ou nos cortes dos cabelos. Uma sala de aula é um livro aberto para falar de questões sociais.Crio o clima necessário para esse contrato social moldado pelas duas palavras mágicas. Nada na vida é possível sem que haja confiança e respeito. Estou falando de pares e lugares. Professores e alunos fazem parte desse universo singular das relações sociais. É preciso diferenciar a palavra simplista de dizer da linha de trabalho a ser seguida. É fácil fazer o jogo da galera utilizando palavras de compreensão fácil perdidas na realidade que se seguirá. Posso usar a gíria para me aproximar. Show de bola essa proposta para criar sinergia. Não devo inverter papéis. O segundo passo da aula nos leva a mergulhar no método científico da Sociologia. Como fazer isso, numa galera que possui a idade do auge da adolescência? Por outro lado, como viajar nessa análise, ousando pensar que aquela sala de aula possui senso crítico e capacidade para ler a realidade. Minha viagem inicial começa por uma canção de uma banda de rock gaúcho. Os Engenheiros do Hawai são os provocadores de uma “ Terra de Gingantes”. Ouvimos a canção e paramos, finalmente, na frase foco da discussão: “ a juventude é uma banda numa propaganda de refrigerante”. A pergunta sociológica é : Essa frase é verdadeira ou falsa? Aqui começa a viagem pelo universo sociológico. O objeto do conhecimento da aula era que cada aluno fosse capaz de identificar o olhar do observador social. Ora, o que essa frase diz para cada um de vocês ? A conversa rola de grupo em grupo. A tese sociológica era que pudéssemos perceber, eu e eles, que a “ juventude é a pele mais sensível da sociedade”. Tocou o sinal. O imaginário viajou para personagens de nomes estranhos como Comte, Marx, Durkheim e Weber. Quem sabe Cazuza, Bob Dylan, Mandela, Luther King, Bono Vox, Sting, Bob Marley, Caetano, Chico Buarque e tantos outros, nos ajudem a entender a atualidade do nascimento de uma nova ciência. Isso é papo para a aula da semana que vem. Bendito os mestres que me ensinaram o significado da palavra inquietude. Carlos Alberto Barcellos Professor